João
Gritão
Brenda Luiza Moreira Magni
Semblante
triste
Num
corpo franzino
Dobrado
pela passagem dos anos.
Estampa
de um campeiro
Que
já não pode mais camperear.
Alcunha
"João Gritão”
(Ganhara este apelido
pela gritaria ao repontar as tropas quando
moço).
Desde
muito pequeno João Gritão trabalhava com o gado,
Atrevo-me
a dizer que antes mesmo de caminhar já galopeava no seu tordilho,
Que
foi o primeiro presente do avô.
Com o tempo, outros
cavalos e muitas campereadas.
Foi
crescendo solito,
Ao
rigor da vida campeira.
Gostava
também das carreiras:
Pata
a pata, orelha a orelha!
Muita
carreira ganhou!
Ou
apenas comemorou, gritou e torceu!
Pois gostava mesmo
era da folia e da gritaria.
No
tempo das tropas largas meio ainda gurizote,
Era
ele quem comandava.
Sempre
muito cuidadoso,
Sem
perder uma rês sequer.
Fez-se
tropeiro por escolha.
E amava seu ganha pão!
Quando
tinham que atravessar o gado por algum rio
Era
ele, João Gritão,
Que entrava dentro d ’água
E chamava a rês da ponta pra fazer pegar o nado.
Mas a vida passa e o tempo é ardiloso .
E o corpo do peão já não responde aos seus comandos.
Triste, vê apenas a
tropa passar
E para alguém é preciso deixar
Seus apetrechos de peão.
Como
não tivera filhos ,
pra quem há de deixar?
Será
que a história de João Gritão irá se apagar?
Afinal,
quem não deixa rastros,
Vira fumaça no ar.
Por
isso, quis contar A história deste campeiro,
Um
simples brasileiro.
Que
trabalhou, lutou e morreu.
Sem
deixar filhos seus Para contar sua história.
Mas
que mesmo na derradeira hora
Honrou
o nome que teve.
E
morreu gritando como quem levasse uma tropa
Para
sagrados campos
E no céu continuou campereando para alegrar a DEUS!