A CRUZ DE CEDRO
Rodrigo Nolibos Bauer
Talvez
tenha sido morto na Guerra do Paraguai...
Ninguém
o sabe por certo, que o tempo longe se vai...
Num
cemitério de campo plantou-se mais um cristão
e a Cruz
de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão!
No
seu enterro pacato, poucos amigos, parentes...
É
neles que permanece, pra sempre, um pouco da gente!
Depois,
na noite com chuva, o campo inteiro sentiu
mais uma
ausência habitando o cemitério vazio!
O
sol acendeu os dias e a vida, então, continuou
e a Cruz
de cedro, ainda verde, vencendo a morte, brotou...
Quando
se deram por conta, de verde estava vestida
uma
ironia campeira marcando a morte com vida!
Em
seu retorno pra terra, nunca talvez lhe ocorresse
que
emprestaria as entranhas para que a Cruz não morresse!
Ou
sua alma guerreira, por ter a fibra imortal,
ganhou a
Cruz de madeira, se erguendo na vertical?
O
tempo cruzou com tropas, carretas e temporais
e a Cruz
abriu mais os braços pra receber os cardeais...
Enraizou
suas lendas e hoje, copando mistérios,
sombreia
além dos antigos limites do cemitério!
Seu
nome, a poeira da história, por certo já sepultou,
mas sua
Cruz é tão viva que, sem cuidados, brotou!
Descansa
um homem sem nome dentro da cova sem luz...
Vencido
pelo passado, velado por sua Cruz!